.
Não vê que só não voamos
por culpa do chão?
Acude a flor que cai a terra
antes que o tempo a torne espera
Segura dela na pressa o espírito
antes que o vermelho vire preto
em um só grito.
Antes que ela seja
(nem que tenha sido por 5 minutos)
como você já esteve por dentro.
Eu sei o quanto deseja
ser carregada pelo vento
Não vê que não voamos
por culpa do chão ?
Olho para cima em um dia de chuva
de melancolia eu não gosto
mas as lágrimas das núvens no meu rosto
encaixam como uma luva
Acho que esses momentos fazem parte da vida.
Se vierem me dizer que o carnaval
é só alegria
Não mentiria na minha opinião.
Diria que é só uma exponenciação
do baile de máscaras de todo dia.
É só uma versão
coberta com um colorido especial.
Não vê qua não voamos
por culpa do chão ?
Salva a flor que cai a terra
antes que se torne parte dela
Salva a flor de seu sorriso
antes que o tempo...
Quero é que veja
a beleza das borbotetas
não, não é isso.
quero dizer, isso também.
mas não agora. quer dizer...
AI
Quero é que veja
(de uma vez por todas)
o que sente lá por dentro
Eu sei o quanto deseja
Ser carregada pelo vento
Não vê que só não voamos por culpa do chão?
.
domingo, 26 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Gata
Alguns minutos depois estaríamos entrando em um minúsculo elevador, aquele cubículo de espelhos com uma porta de grade de ferro pintada de dourado. Os andares marcados no concreto vão ficando para cima pouco a pouco. A garota das meias calças ajeita os cabelos quase longos em um nó na nuca.
Benício, de frente para as costas dela, olha, com a cara sonolenta de sempre, como quem não quer nada, para o bolso do short branco, reparando, depois de um bom tempo, o bordado camuflado discreto sobre o tecido. Sorri; meu reflexo também me sorri e o dourado das grades atrai meus dedos como se possuísse um campo magnético. A garota arregala os olhos e segura meu braço, dizendo: cuidado! Sorrio para ela. Sem pensar muito, logo volto a levantar minha mão. Mas, antes de chegar ao meu objetivo o elevador chega ao dele.
A grade abre e empurramos a porta, saindo da portaria. Começa a tocar uma música de abertura de desenho animado no celular do Benício. Ele atende: Aê, diz. Oi Elisa, dormiu bem ontem? Pensei que você fosse dormir cedo, por causa do teste amanhã. Escuto ela com uma voz bastante raivosa quase gritar bem alto: “Sabe, encontrei seu nome no dicionário ontem... perdido entre os sinônimos de traidor, entre viadinho e filho da puta. Você sabe porque estou falando isso então nem tente dizer que não sabe”; e desligar na cara dele.
Me arregala os olhos, espantado. Tenho a certeza de que se o conhece-se melhor abraçaria o. Coloco a mão sobre seus ombros. Pergunto o que tinha acontecido. Ele leva a mão a testa, sacode os ombros. Namorada? Não, uma garota maluca que eu fiquei com uma só vez, dormi na casa dela... ela acha que temos algo sério por causa disso. Vive falando que eu usei ela, que pra mim ela é só um objeto. Que para mim, todas as mulheres são.
Tenso cara. E ela disse que por causa disso vai fazer tudo pra me atrapalhar com qualquer mulher que eu chegue perto. Se ela for boa nisso, acho que vou acabar morrendo.
Vamos? Pergunta a garota da meia calça. Vamos, respondemos em um coro, concordando. Mais uns passos afrente Benício abriria um enorme sorriso por nenhum motivo em especial. Abriria um sorriso e riria da vida. A risada dele soaria como a risada de quem acabou de ouvir uma piada hilária e demorou para entender.
Um cara passa de bicicleta, devagar, cantando uma música calma. Adoro essa música, a garota diz. Parece bem melancólica, Benício diz. Ela pergunta: E eu Benício, com o que eu pareço? Parece uma gata, Rosa, parece uma gata.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
boca
Apague os farois
e identifique-se
me explique :
se as portas então todas fechadas
e a própria boa noite
mais morta do que mal amada
porque vir parar logo aqui?
(Se existe alguma perfeição ela é completamente imprevisível)
e identifique-se
me explique :
se as portas então todas fechadas
e a própria boa noite
mais morta do que mal amada
porque vir parar logo aqui?
(Se existe alguma perfeição ela é completamente imprevisível)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
diálogo ?
(E pensar que um texto bobo como este abaixo seria a semente de algo cada vez mais realmente importante...)
Pensando, só se for. Só se fosse alguém pensando em você falando sobre arte sentado num sofá
Sim, eu tenho de pensar pra poder falar. Onde nós paramos?
Onde você parou, não?
Não, estávamos discutindo. A última a falar foi você.
Isso é você quem está dizendo.
Quem sabe não foi você?
A última a falar?
A primeira a falar que você foi a última.
Você se acha um artista mesmo, não é? Carregando esse caderninho por aí...
Isso depende de o que é considerado arte. Sabe?
É? E o que você considera arte?
Arte pra mim é tudo o que eu gosto.
E você gosta de andar por aí carregando esse caderninho?
Sim, gosto sim. E você? Pra começar a falar em arte assim do nada, deve ter um bom motivo... Não?
Nenhum específico. Talvez tenha pensado em algo. Mas não fiquei sabendo.
Acontece. E então, o que você considera?
Me sinto meio estranho, falando sobre arte sentado num sofá.
Pensando, só se for. Só se fosse alguém pensando em você falando sobre arte sentado num sofá.
Sim, eu tenho de pensar pra poder falar. Onde nós paramos?
Onde você parou, não?
Não, estávamos discutindo. A última a falar foi você.
Isso é você quem está dizendo.
Quem sabe não foi você?
A última a falar?
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
uma pessoa específica
.
Meu amigo, você sabe
que essa mentira não vai
te levar pro céu
essa mentira não vai
te levar pro céu
(*)
diz em qual nome
por traz se esconde
diz a qual nome
você é mais fiel
(**)
Depois das oito horas ( da manhã )
diz adeus, vai-se embora
chega em casa e deita da cama
finje que vai dormir
Ah, assim não me engana
o Sol vai fazer surgir
aquele que desconheço
Meu amigo, você sabe
que essa mentira não vai
te levar pro céu
essa mentira não vai
te levar pro céu
(*)
diz em qual nome
por traz se esconde
diz a qual nome
você é mais fiel
(**)
Depois das oito horas ( da manhã )
diz adeus, vai-se embora
chega em casa e deita da cama
finje que vai dormir
Ah, assim não me engana
o Sol vai fazer surgir
aquele que desconheço
Meu amigo, você sabe
que essa mentira não vai
te levar pro céu
essa mentira não vai
essa mentira não vai
te levar pro céu
(*)
diz em qual nome
por traz se esconde
diz a qual nome
você é mais fiel
(**)
(**)
Depois das oito horas ( da noite )
diz já vai e olá minha senhora
chega na rosa e traz as nossas chamas
finje que vai me ouvir
Ah, mas essa sua fama
Só a lua ilumina
e quantas coisas eu confesso
sentado logo alí
Meu amigo, você sabe
que essa mentira não vai
te levar pro céu
essa mentira não vai
essa mentira não vai
te levar pro céu
(*)
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terça-feira, 5 de abril de 2011
só mais três vezes...
.
E quando eu sussurrar promessas
de um romance ainda inacabado
suave e sem pressa
perto das partes mais claras
de seu leve bronzeado...
Ah, mas vai ser
muito mais
do que só a pele
a tona traz
ah, mas vai querer
muito mais
que só o tempo
a procura da paz
E em próprio mútuo pensamento
eu só sussurro promessas
( suave e sem pressa )
de um romance inacabado
nas partes mais claras
de seu leve bronzeado
.
E quando eu sussurrar promessas
de um romance ainda inacabado
suave e sem pressa
perto das partes mais claras
de seu leve bronzeado...
Ah, mas vai ser
muito mais
do que só a pele
a tona traz
ah, mas vai querer
muito mais
que só o tempo
a procura da paz
E em próprio mútuo pensamento
eu só sussurro promessas
( suave e sem pressa )
de um romance inacabado
nas partes mais claras
de seu leve bronzeado
.
domingo, 20 de março de 2011
razão
.
Desde quando tenho de ter
um motivo para tanto rir?
Se o mundo inteiro já me é
mais do que o suficiente
( sem que ninguem se esforçe )
Seja um desenho que o tempo fez no chão
seja o seco gosto de um vinho
ou a irônica obrigação
de fazer algo que não me convém
Vou achar graça sim.
( Isso declaro como algum tipo de promessa )
Porque por mais que seja
difícil de não se duvidar
Tudo que tem um lado ruim
tem também um lado bom.
E para mim,
o lado que rima, com o fim - do verso acima -
há de ser visto somente pelos meus olhos completamente fechados.
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Desde quando tenho de ter
um motivo para tanto rir?
Se o mundo inteiro já me é
mais do que o suficiente
( sem que ninguem se esforçe )
Seja um desenho que o tempo fez no chão
seja o seco gosto de um vinho
ou a irônica obrigação
de fazer algo que não me convém
Vou achar graça sim.
( Isso declaro como algum tipo de promessa )
Porque por mais que seja
difícil de não se duvidar
Tudo que tem um lado ruim
tem também um lado bom.
E para mim,
o lado que rima, com o fim - do verso acima -
há de ser visto somente pelos meus olhos completamente fechados.
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