segunda-feira, 18 de abril de 2011

diálogo ?

    (E pensar que um texto bobo como este abaixo seria a semente de algo cada vez mais realmente importante...) 
Me sinto meio estranho, falando sobre arte sentado num sofá.
Pensando, só se for. Só se fosse alguém pensando em você falando sobre arte sentado num sofá
Sim, eu tenho de pensar pra poder falar. Onde nós paramos?
Onde você parou, não?
Não, estávamos discutindo. A última a falar foi você.
Isso é você quem está dizendo.
Quem sabe não foi você?
A última a falar?
A primeira a falar que você foi a última.
Você se acha um artista mesmo, não é? Carregando esse caderninho por aí...
Isso depende de o que é considerado arte. Sabe?
É? E o que você considera arte?
Arte pra mim é tudo o que eu gosto.
E você gosta de andar por aí carregando esse caderninho?
Sim, gosto sim. E você? Pra começar a falar em arte assim do nada, deve ter um bom motivo... Não?
Nenhum específico. Talvez tenha pensado em algo. Mas não fiquei sabendo.
Acontece. E então, o que você considera?
Me sinto meio estranho, falando sobre arte sentado num sofá.
Pensando, só se for. Só se fosse alguém pensando em você falando sobre arte sentado num sofá.
Sim, eu tenho de pensar pra poder falar. Onde nós paramos?
Onde você parou, não?
Não, estávamos discutindo. A última a falar foi você.
Isso é você quem está dizendo.
Quem sabe não foi você?
A última a falar?

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

uma pessoa específica

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Meu amigo, você sabe
que essa mentira não vai
te levar pro céu
essa mentira não vai
te levar pro céu
(*)

diz em qual nome
por traz se esconde
diz a qual nome
você é mais fiel
(**)

Depois das oito horas ( da manhã )
diz adeus, vai-se embora
chega em casa e deita da cama
finje que vai dormir

Ah, assim não me engana
o Sol vai fazer surgir
aquele que desconheço


Meu amigo, você sabe
que essa mentira não vai
te levar pro céu
essa mentira não vai
te levar pro céu
(*)

diz em qual nome
por traz se esconde
diz a qual nome
você é mais fiel
(**)

Depois das oito horas ( da noite )
diz já vai e olá minha senhora
chega na rosa e traz as nossas chamas
finje que vai me ouvir

Ah, mas essa sua fama
Só a lua ilumina
e quantas coisas eu confesso
sentado logo alí

Meu amigo, você sabe
que essa mentira não vai
te levar pro céu
essa mentira não vai
te levar pro céu
(*)

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terça-feira, 5 de abril de 2011

só mais três vezes...

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E quando eu sussurrar promessas
de um romance ainda inacabado
suave e sem pressa
perto das partes mais claras
de seu leve bronzeado...

Ah, mas vai ser
muito mais
do que só a pele
a tona traz

ah, mas vai querer
muito mais
que só o tempo
a procura da paz

E em próprio mútuo pensamento
eu só sussurro promessas
( suave e sem pressa )
de um romance inacabado
nas partes mais claras
de seu leve bronzeado

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domingo, 20 de março de 2011

razão

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Desde quando tenho de ter
um motivo para tanto rir?
Se o mundo inteiro já me é
mais do que o suficiente
( sem que ninguem se esforçe )

Seja um desenho que o tempo fez no chão
seja o seco gosto de um vinho
ou a irônica obrigação
de fazer algo que não me convém

Vou achar graça sim.
( Isso declaro como algum tipo de promessa )

Porque por mais que seja
difícil de não se duvidar
Tudo que tem um lado ruim
tem também um lado bom.

E para mim,
o lado que rima, com o fim - do verso acima -
há de ser visto somente pelos meus olhos completamente fechados.


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sábado, 19 de março de 2011

Antes do que imaginaria

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Porque não fazer do amanhã
o Hoje de daqui algumas horas?

Esquece como o tempo
há de se transformar em zero
para que surja o sol no horizonte

A melhor surpresa dos minutos que passam lentos
sem dúvida virá de onde menos espero.
( Há de ser cheia a lua que agora está minguante )

Porque não fazer do amanhã
o Hoje de daqui algumas horas?

Deixa de lado o sono
transforma cansaço em sonho.
Só para que o logo logo
seja agora o quanto antes.


Quero guardar o meu caderno.
pegar minha bicicleta.
pedalar o meu caminho
até chegar na minha rua.
encontrar com minha sanidade.
ter ela em meus braços.
E, finalmente, depois de todo esse tempo,
refletido em tudo o que é meu, 
o brilho dos olhos dela há de fazer surgir
algo além do tempo no passar de nossas vidas.
como deve ser.


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segunda-feira, 14 de março de 2011

pedaços

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Sim, Sinto falta da audácia de seus melodramas.
Só de pensar em toda a angústia que me inflama,
não entender o sentido de tantas gritarias
tudo por causa de algo tão pequeno
que mal nenhum lhe faria... ai ai.

Não entendo o temor pelo o que não temo
Não entendo sua dor pelo o que tanto amo
Estendo a coberta sobre o que quero ver
( Só pra te agradar amor )
Faço sim, e você sabe porque.

Só espero que esse desespero se cure
que um dia seu corpo em pé se segure
quando passar voando a borboleta
( seja azul ou seja preta )
Só queria que pudesses ver o mundo
como eu vejo o mundo.



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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Castelo

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Se você olhar Alí, olha. Dá pra ver duas pessoas sentadas em cadeiras de praia, os rostos virados em direção ao Sol, quase chegando perto de começar a se por. Um usa óculos escuros, o outro segura um copo de Matte Leão na extremidade do braço dependurado. A gravidade parece mais forte. Uma mulher se bikinis verdes não absurdamente pequenos sai da água e sobe a ladeira de areia, indo em direção a aonde ela pensa que estão suas coisas, um pedaço de praia sem areia aonde ela poderá se sentar e seu marido, nessa ordem de importância. Ao chegar no topo da pequena escalada, ela já pode ser avistada pelos dois caras sentados lado a lado. Alguma correnteza imperceptível puxou-a um pouco para longe do seu ponto de entrada no mar, ela percebe depois de olhar para um lado, para o outro e não encontrar nada do que ela gostaria de encontrar. Levemente angustiada inicia sua caminhada em direção a esquerda.

Tropeça na perna do cara do copo de Matte. Perdão, ele diz.
Não, ela não caiu, não se estabacou e nem quebrou nada. Mas ela nunca mais vai achar o brinco que caiu de uma de suas orelhas. Ela levanta o dedão em sinal de joinha, como se dissesse tudo bem e continua andando.
Alguns minutos depois, o rapaz dos óculos escuros fala, sem mover nenhum músculo além do estritamente necessário para falar.


Cara, porque isso de falar perdão, ao invés de desculpas que nem uma pessoa normal?
O outro pensa por alguns instantes, joga areia num pombo sem pudor e responde, bem devagar.
Acho que perdão pode parecer mais forte do que desculpas, chama mais atenção eu acho, afeta mais as pessoas, parece que quando eu falo perdão me sinto mais bom do que quando eu peço desculpas.
A Gravidade parece mais forte
Sei.
E, e na verdade, o significado dela é bem mais aceitável do que o significado das desculpas, tipo, é é é bem mais fácil perdoar uma pessoa do que tirar a culpa dela. A pessoa perdoada continua tento feito o erro que ela fez, só que...
O que?
Faltou a palavra. Deixa, deixa, deu pra entender?
Uhum.
Você não prestou atenção, né?
Não. Cara, perdão.
Porra, você pergunta e não escuta a resposta.
É porque eu tava crente que você ia falar algo simples tipo: Ah, é porque eu acho bonito.
Respostas simples não é comigo, não gosto.
Que gay.
Eita.
Brincando só, calma cara.
Tá. Vo ali na água. Fica aí?



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