.
Desde quando tenho de ter
um motivo para tanto rir?
Se o mundo inteiro já me é
mais do que o suficiente
( sem que ninguem se esforçe )
Seja um desenho que o tempo fez no chão
seja o seco gosto de um vinho
ou a irônica obrigação
de fazer algo que não me convém
Vou achar graça sim.
( Isso declaro como algum tipo de promessa )
Porque por mais que seja
difícil de não se duvidar
Tudo que tem um lado ruim
tem também um lado bom.
E para mim,
o lado que rima, com o fim - do verso acima -
há de ser visto somente pelos meus olhos completamente fechados.
.
domingo, 20 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
Antes do que imaginaria
.
Porque não fazer do amanhã
o Hoje de daqui algumas horas?
Esquece como o tempo
há de se transformar em zero
para que surja o sol no horizonte
A melhor surpresa dos minutos que passam lentos
sem dúvida virá de onde menos espero.
( Há de ser cheia a lua que agora está minguante )
Porque não fazer do amanhã
o Hoje de daqui algumas horas?
Deixa de lado o sono
transforma cansaço em sonho.
Só para que o logo logo
seja agora o quanto antes.
Porque não fazer do amanhã
o Hoje de daqui algumas horas?
Esquece como o tempo
há de se transformar em zero
para que surja o sol no horizonte
A melhor surpresa dos minutos que passam lentos
sem dúvida virá de onde menos espero.
( Há de ser cheia a lua que agora está minguante )
Porque não fazer do amanhã
o Hoje de daqui algumas horas?
Deixa de lado o sono
transforma cansaço em sonho.
Só para que o logo logo
seja agora o quanto antes.
Quero guardar o meu caderno.
pegar minha bicicleta.
pedalar o meu caminho
até chegar na minha rua.
encontrar com minha sanidade.
ter ela em meus braços.
E, finalmente, depois de todo esse tempo,
refletido em tudo o que é meu,
o brilho dos olhos dela há de fazer surgir
algo além do tempo no passar de nossas vidas.
como deve ser.
.
segunda-feira, 14 de março de 2011
pedaços
.
Sim, Sinto falta da audácia de seus melodramas.
Só de pensar em toda a angústia que me inflama,
não entender o sentido de tantas gritarias
tudo por causa de algo tão pequeno
que mal nenhum lhe faria... ai ai.
Não entendo o temor pelo o que não temo
Não entendo sua dor pelo o que tanto amo
Estendo a coberta sobre o que quero ver
( Só pra te agradar amor )
Faço sim, e você sabe porque.
Só espero que esse desespero se cure
que um dia seu corpo em pé se segure
quando passar voando a borboleta
( seja azul ou seja preta )
Só queria que pudesses ver o mundo
como eu vejo o mundo.
.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Castelo
.
Se você olhar Alí, olha. Dá pra ver duas pessoas sentadas em cadeiras de praia, os rostos virados em direção ao Sol, quase chegando perto de começar a se por. Um usa óculos escuros, o outro segura um copo de Matte Leão na extremidade do braço dependurado. A gravidade parece mais forte. Uma mulher se bikinis verdes não absurdamente pequenos sai da água e sobe a ladeira de areia, indo em direção a aonde ela pensa que estão suas coisas, um pedaço de praia sem areia aonde ela poderá se sentar e seu marido, nessa ordem de importância. Ao chegar no topo da pequena escalada, ela já pode ser avistada pelos dois caras sentados lado a lado. Alguma correnteza imperceptível puxou-a um pouco para longe do seu ponto de entrada no mar, ela percebe depois de olhar para um lado, para o outro e não encontrar nada do que ela gostaria de encontrar. Levemente angustiada inicia sua caminhada em direção a esquerda.
Cara, porque isso de falar perdão, ao invés de desculpas que nem uma pessoa normal?
Se você olhar Alí, olha. Dá pra ver duas pessoas sentadas em cadeiras de praia, os rostos virados em direção ao Sol, quase chegando perto de começar a se por. Um usa óculos escuros, o outro segura um copo de Matte Leão na extremidade do braço dependurado. A gravidade parece mais forte. Uma mulher se bikinis verdes não absurdamente pequenos sai da água e sobe a ladeira de areia, indo em direção a aonde ela pensa que estão suas coisas, um pedaço de praia sem areia aonde ela poderá se sentar e seu marido, nessa ordem de importância. Ao chegar no topo da pequena escalada, ela já pode ser avistada pelos dois caras sentados lado a lado. Alguma correnteza imperceptível puxou-a um pouco para longe do seu ponto de entrada no mar, ela percebe depois de olhar para um lado, para o outro e não encontrar nada do que ela gostaria de encontrar. Levemente angustiada inicia sua caminhada em direção a esquerda.
Tropeça na perna do cara do copo de Matte. Perdão, ele diz.
Não, ela não caiu, não se estabacou e nem quebrou nada. Mas ela nunca mais vai achar o brinco que caiu de uma de suas orelhas. Ela levanta o dedão em sinal de joinha, como se dissesse tudo bem e continua andando.
Alguns minutos depois, o rapaz dos óculos escuros fala, sem mover nenhum músculo além do estritamente necessário para falar.
Cara, porque isso de falar perdão, ao invés de desculpas que nem uma pessoa normal?
O outro pensa por alguns instantes, joga areia num pombo sem pudor e responde, bem devagar.
Acho que perdão pode parecer mais forte do que desculpas, chama mais atenção eu acho, afeta mais as pessoas, parece que quando eu falo perdão me sinto mais bom do que quando eu peço desculpas.
A Gravidade parece mais forte
Sei.
E, e na verdade, o significado dela é bem mais aceitável do que o significado das desculpas, tipo, é é é bem mais fácil perdoar uma pessoa do que tirar a culpa dela. A pessoa perdoada continua tento feito o erro que ela fez, só que...
O que?
Faltou a palavra. Deixa, deixa, deu pra entender?
Uhum.
Você não prestou atenção, né?
Não. Cara, perdão.
Porra, você pergunta e não escuta a resposta.
É porque eu tava crente que você ia falar algo simples tipo: Ah, é porque eu acho bonito.
Respostas simples não é comigo, não gosto.
Que gay.
Eita.
Brincando só, calma cara.
Tá. Vo ali na água. Fica aí?
.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
quanto
.
Me contaram como aconteceu, me contaram o porque da ponte não estar mais lá. Na mesma hora me lembrei, lembrei do video que eu fiz, daquela garota de cabelos cacheados zanzando de um lado para o outro em cima dela, em cima da ponte. O video que eu fiz, da garota de cabelos cacheados se espreguiçando enquanto andava pela ponte. A ponte que agora existe só como um quebra cabeças, amontoado perto de onde deveria estar montado. E o rio correndo em baixo, e o rio que agora é só lama e restos de algo que já foi inteiro algum dia. O rio, que nunca havia sido um grande rio, até que de repente foi.
Como é estranho pensar que algo tão morto como uma ponte possa continuar vivo mesmo depois de não existir mais. continuar vivo em imagens e recordações, perfeita como era, para sempre. Até o ultimo suspiro do tempo recordado. O quanto de você vai continuar vivo?
serei para sempre o que eu escrever.
então é melhor que essas palavras mostrem
como sou de verdade.
mesmo que eu possa não mais ser.
.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
missa
.
Eita, não entendi nada que ele disse, nada.
é seu ouvido que anda meio ruim.
O que você disse ?
Seu ouvido, anda meio ruim.
Quanto tempo desde que você passou cotonetes
a última vez ?
Eu passo cotonete sempre, tá ?
Então, esse é o problema.
Você devia passar menos cotonetes.
Mas eu não passo tanto assim.
você não passa sempre ?
É, mas meu sempre não...
meu sempre...
seu sempre não é sempre, é isso?
É, achei meio estranho falar.
É porque é meio estranho mesmo.
.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
clarividência
.
Sentado sobre o colchão, sentado sobre o lençol, olho para ela enrolada nele, enrolada no lençol como algum tipo de mamífero hibernando no inverno se enrolaria em folhas ou terra. Hibernando no inverno artificial de meu quarto. Olho para o lado de fora da janela, um pássaro me observa, pousado dentro de um dos losangulos da telilha da varanda, que está lá para que meu irmão não caia nove andares. O pássaro olha para mim, como se me fotografasse, como se me filmasse. Olho para o lençol azul, levanto, abro uma gaveta, remexo o conteúdo. Outra gaveta, outra, o armário, subo na cama e passo a mão pela prateleira mais alta. Nada.
-- Que você tá fazendo?
indaga-me o lençol
-- Procurando uma coisa.
-- Isso eu percebi. Que coisa?
-- Minha câmera, procurando minha câmera.
Reviro uma bolsa encostada em um canto.
-- Câmera? Pra levar pra Paquetá?
-- Não, para usar agora. Queria acordar você te filmando. Achei que seria fofo.
Alguma movimentação se inicia e de dentro de todo aquele pano surge um rosto, surgem olhos castanhos quase escuros olhando para os meus.
-- Mas eu já acordei, você já me acordou, fazendo barulho aí
-- Sabe, você até que tem razão. Então... Bem, não quer dormir mais um pouco?
Procuro dentro de bolsos de bermudas mal dobradas pelo armário. E encontro a máquina bem embaixo da cama. Como se durante a noite ela tivesse tentado chegar até mim, como se ela tivesse previsto que seria necessária. Quando retorno lá de baixo, o rosto voltou a ser lençol, como se nunca tivesse estado lá. Uma montanha de pano azulado amassado como um mar revolto. Aperto o botão e vejo o mundo através de um pequeno, pequeno retângulo.
Assinar:
Postagens (Atom)