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Duras como concreto
São as palavras indiscretas
que chegam aos ouvidos.
demoram a unir-se em algum sentido.
A visão já ofuscada
pelo tempo, sem brilho.
humedece, incrustada
por jóias translúcidas.
Quão horrível é
que o fim chegue antes
para a obra
do que ao autor
as imagens, lembranças,
escurecem seus pensamentos
a alegria dos momentos
convertida em agonia
coitada da criança,
fadada ao esquecimento
por sorte foi curto o sofrimento
o sentimento surge
talvez mais forte
para a protagonista
do que jamais pode vir
a surgir para o enfermo.
existia o pensamento ?
a morte de algo
tão breve.
não palpável.
nada nunca mais será
igual.
nada nunca é tão igual.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
roberto e os peixes
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São seis e nove da tarde, ou noite, não importa. Roberto funga sobre seus grossos dedos. O cheiro é de peixe. Um cheiro que ele despreza. Esse marítimo odor é um sinal de que algo está errado. Algo tem que estar errado. Ele lembra da ultima vez em que sentiu esse cheiro em suas mãos. Foi assaltado logo depois... perdeu o carro e as compras do supermercado, que passou horas escolhendo.
Pelo menos agora ele está em casa. O pior que pode acontecer é escorregar no tapete, ou em uma almofada. Quebrar uma costela... ou sofrer um traumatismo craniano. É isso ?
Roberto resolve ficar sentado, em frente a seu computador.
Não, o computador pode quebrar.
Roberto vai até a cama e deita.
Se escondendo em baixo de seu travesseiro de penas de ganso, ou cisne... talvez pato ou papagaio. Mas esses não são pensamentos que passam por sua cabeça. Ganso. Pronto.
Síndrome do pânico ?
Roberto, em sua imaginária segurança, imagina do que pode estar se protegendo.
E se algo na casa entrasse em curto circuito e o apartamento pegasse fogo ?
E se … seus cabelos começassem a cair ?
Não, não.
Melhor não pensar nisso.
O cheiro de peixe cada vez mais forte.
Marcando cada instante.
Instantes tão intensos que um relógio comum não poderia marcar com suas batidas ritmadas.
Cada fungada um novo pensamento.
Roberto esfrega suas mãos malcheirosas nas calças.
E nos lençóis.
O cheiro se espalha cada vez mais.
Como se a cada minuto as possibilidades de algo horrível acontecer aumentassem descontroladamente.
Roberto passa um bom tempo deitado, se contorcendo, estressado.
A maciez do colchão o acalma aos poucos.
Seu nariz ,entupido pelos ácaros invisíveis das penas do papagaio, despreocupa-se com o odor odioso.
Logo, Roberto cai em um sono agitado.
Com sonhos... não... pesadelos horríveis.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
morte
.
Na saída do recinto.
Um pequeno aviso, escrito com negras letras garrafais,
informa os presentes que o exterior se encontra fechado.
A cor branca da pequena placa contrasta com o vidro atrás dela.
O mundo está fechado.
Permaneça.
Não se arrisque.
Ele é ignorado. E ignorado,
afirma o quão ignóbeis são as pessoas
que não percebem a profundidade
de suas proféticas letras.
FECHADO.
Ele grita.
FECHADO.
Grita o aviso.
Em vão.
Mas eu não.
Eu observo seus dizeres.
Suas sábias palavras. Sua sábia palavra.
E escrevo, aos ignorantes leitores,
este pequeno texto.
Para que, a partir de agora, passem
a prestar mais atenção nestes pequenos
sinais.
depois não sabem... depois perguntam.
O porque de acabar morrendo.
Uma hora ou outra....
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domingo, 23 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
homem de lata
.
Seria, meu amor, só mais uma ilusão
toda essa distância entre nós ?
ou talvez estejamos realmente separados
( nossos pensamentos em pura aflição )
é demais atroz
comparar-me ao homem de lata
sem coração.
Só Sinto-me dividido
confusamente repartido
ferido
talves iludido
uma parte insiste em pesar
enquanto a a outra flutua
em puro Hedonismo.
mas, apesar de tudo isso
resguardo teu viço
constante em meus pensamentos
talvez só esteja procurando
a perfeição
talvez a sua feição
seja a mais próxima
disso
O retorno de meus atos
se condensa em transtorno
desconheço o que me torno
o entorno me confunde
o último fato
e mais estranho
é que agora não tenho mais
a insônia
incômoda.
incômoda.
.
.
horror letárgico
.
A constante tortura
do manhoso letargo
É notavelmente
pior que a insônia
infernal, de anteriormente
Que me perseguia insensata
porém, produtiva.
Aflige-me a dívida com o tempo
em que meu corpo clamou
pelos olhos cerrados
ignorado
A angústia do cansaço
convertida em agônia
é um reflexo de pecados
contra este tempo
Cabisbaixo, não por tristesa.
Apago, a face comprimida
contra dura mesa
e as rubras espirais
são demarcadas
em carne macia
a secura na garganta
o horror
o horror do sono
.
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A constante tortura
do manhoso letargo
É notavelmente
pior que a insônia
infernal, de anteriormente
Que me perseguia insensata
porém, produtiva.
Aflige-me a dívida com o tempo
em que meu corpo clamou
pelos olhos cerrados
ignorado
A angústia do cansaço
convertida em agônia
é um reflexo de pecados
contra este tempo
Cabisbaixo, não por tristesa.
Apago, a face comprimida
contra dura mesa
e as rubras espirais
são demarcadas
em carne macia
a secura na garganta
o horror
o horror do sono
.
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
sufrágio
.
Macabro é
o desígnio incoerente
que tenro surge
com o baque surdo
sonolento
de minha cabeça
na mesa
Então...
por meio a esta
fantasiada insanidade
que invento
a partir de sofrimentos
surreais e
que possa
talvez ser uma
tentativa de sufrágio
a vontades quase
incontroláveis
de minha alma
penso que
talvez eu seja
só mais uma
pessoa sombra
que surge em soslaio
em meio a mente
dos outros
ou bem que
talvez eu seja alguém
marcante
só é certo
torno-me um lacaio
das falsas angústias
e
ao olhar para meu
passado próximo
surge uma estranha
melancólica saudade.
seria saudável
esse sentimento ?
me sinto tão instável
ultimamente.
.
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