quarta-feira, 30 de setembro de 2009

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O que você vive ?



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sábado, 26 de setembro de 2009

mais sobre Jorge

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       Dia nublado.

      Jorge levanta de sua cama, com lenta dificuldade. Suas pantufas escuras, clareadas pelo tempo, aguardam seus pés, de aparência frágil. Acender a luz talvês não tenha sido um boa idéia, seus olhos pulsam em agonia. Lamento. Péssimo dia.

       Vai até a porta, recolhe seu infomante do mundo exterior. Senta em sua confortavél poltrona. Alguns poucos muitos anos antes, sua esposa sentava-se com ele de manhã. Ao seu lado, o lugar dela, agora, observava-o com seu olhar gelado. Dona Susana. Nunca tiveram filhos. Não homens, como Jorge sempre quisera.
   
      Jornal.

       Mais dois morrem ao reagir a um assalto. Mais um morre embebedado. Jorge não se importa muito, não muito mais. Quando mais novo, acontecimentos como estes abalavam-o com maior intensidade. A morte agora, já passara por ele tantas vezes, era, Velha companheira de bebida. E cada vez eles eram mais próximos.

     Jorge sabia disso, Jorge sentia isso e Jorge não se importava muito.
     Talvês não fosse verdade, por fora talvês ele estivesse saudável, mas por dentro, vazio.
     Não se importa.

     Suas filhas visitavam-o frequentemente, na cabeça delas.
     A diarista vinha quase todos os dias, se a casa não sujasse. Quando a casa suja, parece que ela       desaparece. Impressão, conhecidência, preocupação desleixada. Nada demais. leva seu prato para a pia. Limpo depois. Vou ao banheiro.

     Espelho. Sem os óculos sou um borrão. Água, para limpar os sonhos. Sua bisavó falava isso. Dentadura. Sinto-me menos réptil. Tartaruga. Velha, Lenta. Clássico cínico, sorriso. A, isso trazia boas lembranças. Fingido. Como isso era útil. As pessoas sempre alegraram-se com sua falsa alegria. Talvês fosse verdadeira, mas Jorge não lembra mais como é, a emoção.

     Afogado pela rotina.
     Sufocado pela repeticão.
     cochilo.
  
     como sua poltrona é boa.




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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

introdução a Jorge.

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Sorriso,
seu sorriso esbanjava juventude
um portal, para a
alegria da vida passada.

Era
Velho.
Nem tanto.
Mas nem tão pouco.

seu olhar,
profundo.
Intenso conhecimento.

Seu corpo
corcundo.
o peso do tempo.

vive só.
mas não solitário.
ele e ele mesmo.

melhores companheiros.
não há tristesa em seu relacionamento.

rouco.
conversa.
Louco.

Tipo uma pedra.

As vezes sente falta
da sua falecida esposa.
dona susana.

Sua.

Jorge
Mora em
copacabana.

Anda arrastando os pés.
Não usa bengala

" Bom dia seu joão "
" Bom dia seu joão "

repete duas vezes para o porteiro
ao sair do seu prédio.
um daqueles bacanas.

sua face.
nua.

sente frias queimaduras,
pingos de chuva.

e lá vai ele para o bar
da rua

de novo.



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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A promessa

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Ásperas palavras.
Dor, ao descerem crânio adentro.
Entram, descuidadas.
Parecem percorrer todo seu corpo.
Machucando.
Moendo.

Ao ouvir tais palavras, não se agüenta.
Sente.
Senta.
Se enrola.
Chora.

Sem apoio, sem consolo.
Nada há.
Nada poderia lhe ajudar.
Ninguém.
além dele mesmo.

Era a morte.
A fria morte de sua amada.
E ele sentia algo morrer dentro dele.
Esvaia-se uma parte de sua existência.
Evaporava.

Sangue, transparente.
Escoria de seus olhos.
Caia.
Pingava.
Explosões de sua alma.

Ao ver aquilo se imaginava como o choro.
caido.
derrubado.
quebrado.
Espalhado.
morto.


Estava deitado.
Na rua.
no chão.

Já não se sentia preocupado, como antes estava.
não havia mais porque se preocupar.
Sua preocupação passara.

A morte ficara.

Fria.
Imaculada.
Eterna.

Dor.
Amor.

e então ?



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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

tchau... se falar embolado e rapido, parece te amo. pelo menos, volta e meia eu confundo. tenso.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

capítulo 1

"Sinto meus pés no chão.
Sinto o chão debaixo de meus pés.
Escuto a algazarra típica de um lugar cheio de pessoas, nada exagerado, o normal eu acho.
Tem mais alguma coisa.
Você escuta isso?
Acho que eu escutei alguma coisa.
Acho que eu escutei alguém falando.

-Seja bem vindo.

Essas palavras ecoam na minha cabeça
Como um sino tocando ao meio dia em uma igreja das grandes.
Mas, como assim? Seja bem vindo?


-Seja bem vindo à fila. Você está indo ao cinema.


-Cinema?
As palavras fogem de minha boca.
Eu tenho uma boca?

-Sim, cinema.

-Mas, por que?
Elas fogem outra vez.
Agora, eu abro meus olhos.
Eu me lembro desse lugar.
Eu me lembro desse cheiro.
Lembro-me deste chão.
Lembro-me destes barulhos.

-Este é o filme da sua vida. Um documentário sobre você mesmo.

Mas eu não lembro dessa pessoa que está na minha frente, falando comigo.

-Eu nunca pensei num filme sobre mim...
Eu lhe digo, sincero.

-Bom, fizeram um.

Responde-me a pergunta que eu não fizera.

-Parece que você foi muito mais interessante do que você achou que era.



Eu, eu era?
Eu, não sou mais?
Interessante?
Eu?
Quem Eu sou?
-Fui?
Digo.

-Sim.
Responde-me outra vez.

Tento falar o que uma pessoa em uma situação normal diria.
Não sei em que situação eu estou.
-E...Quanto custa o ingresso?

-Não se importe com esses detalhes pequenos, essa não é a parte importante. Você nunca se importou com isso, porque se importaria agora?

Pipoca doce, cheiro de pipoca doce.
Melhor, de açúcar queimado.
A fila parece grande.
Parece que ela não está andando.
Parece.
Mas já me desloquei alguns metros desde que me dei por mim mesmo.
Eu acho.
Duvida.
-Você já viu o filme?

-Sim.

-Interessante?

-Diferente, eu diria. Bem diferente. Você se achava interessante?

-Não saberia dizer.
Vejo um cartaz em uma pilastra a minha esquerda.
Vejo um rosto nele.
É este o meu rosto?

-Eles não falam sobre isso no filme?

-Sim, falam.

-Isso... Isso é realmente muito estranho.

-O que é estranho?

-Sinto-me exposto. Estou de pé, não sei nada sobre mim e ainda assim, na minha frente, está uma pessoa que me conhece melhor do que eu mesmo, porque essa assistiu a um filme que conta tudo sobre a minha vida. Não sei o que pensar, porque não sei o que eu pensaria numa hora dessas. Mas você, você deve saber o que eu pensaria, não? E outra, se você sabia a resposta, porque você fez a pergunta?


-Também não sei.

-Tudo bem. Essa fila não vai andar não?

-Devagar. Parece que o filme teve uma boa crítica. Muita gente quer assistir. Bom, Vou ir comprar o refrigerante.

Refrigerante, lembro de gostar de refrigerante. Lembro de sempre beber refrigerante quando eu ia ao cinema. Acho que ele sabe disso.
-Boa.
Afirmo.

-Eu sei.
Responde-me

-Eu sei.
(que você sabe)

-Você fica ai?

-Fico... Tudo bem, eu acho."