sábado, 19 de fevereiro de 2011

Castelo

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Se você olhar Alí, olha. Dá pra ver duas pessoas sentadas em cadeiras de praia, os rostos virados em direção ao Sol, quase chegando perto de começar a se por. Um usa óculos escuros, o outro segura um copo de Matte Leão na extremidade do braço dependurado. A gravidade parece mais forte. Uma mulher se bikinis verdes não absurdamente pequenos sai da água e sobe a ladeira de areia, indo em direção a aonde ela pensa que estão suas coisas, um pedaço de praia sem areia aonde ela poderá se sentar e seu marido, nessa ordem de importância. Ao chegar no topo da pequena escalada, ela já pode ser avistada pelos dois caras sentados lado a lado. Alguma correnteza imperceptível puxou-a um pouco para longe do seu ponto de entrada no mar, ela percebe depois de olhar para um lado, para o outro e não encontrar nada do que ela gostaria de encontrar. Levemente angustiada inicia sua caminhada em direção a esquerda.

Tropeça na perna do cara do copo de Matte. Perdão, ele diz.
Não, ela não caiu, não se estabacou e nem quebrou nada. Mas ela nunca mais vai achar o brinco que caiu de uma de suas orelhas. Ela levanta o dedão em sinal de joinha, como se dissesse tudo bem e continua andando.
Alguns minutos depois, o rapaz dos óculos escuros fala, sem mover nenhum músculo além do estritamente necessário para falar.


Cara, porque isso de falar perdão, ao invés de desculpas que nem uma pessoa normal?
O outro pensa por alguns instantes, joga areia num pombo sem pudor e responde, bem devagar.
Acho que perdão pode parecer mais forte do que desculpas, chama mais atenção eu acho, afeta mais as pessoas, parece que quando eu falo perdão me sinto mais bom do que quando eu peço desculpas.
A Gravidade parece mais forte
Sei.
E, e na verdade, o significado dela é bem mais aceitável do que o significado das desculpas, tipo, é é é bem mais fácil perdoar uma pessoa do que tirar a culpa dela. A pessoa perdoada continua tento feito o erro que ela fez, só que...
O que?
Faltou a palavra. Deixa, deixa, deu pra entender?
Uhum.
Você não prestou atenção, né?
Não. Cara, perdão.
Porra, você pergunta e não escuta a resposta.
É porque eu tava crente que você ia falar algo simples tipo: Ah, é porque eu acho bonito.
Respostas simples não é comigo, não gosto.
Que gay.
Eita.
Brincando só, calma cara.
Tá. Vo ali na água. Fica aí?



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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quanto

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Me contaram como aconteceu, me contaram o porque da ponte não estar mais lá. Na mesma hora me lembrei, lembrei do video que eu fiz, daquela garota de cabelos cacheados zanzando de um lado para o outro em cima dela, em cima da ponte. O video que eu fiz, da garota de cabelos cacheados se espreguiçando enquanto andava pela ponte. A ponte que agora existe só como um quebra cabeças, amontoado perto de onde deveria estar montado. E o rio correndo em baixo, e o rio que agora é só lama e restos de algo que já foi inteiro algum dia.  O rio, que nunca havia sido um grande rio, até que de repente foi.

Como é estranho pensar que algo tão morto como uma ponte possa continuar vivo mesmo depois de não existir mais. continuar vivo em imagens e recordações, perfeita como era, para sempre. Até o ultimo suspiro do tempo recordado. O quanto de você vai continuar vivo?

serei para sempre o que eu escrever.
então é melhor que essas palavras mostrem 
como sou de verdade.
mesmo que eu possa não mais ser.







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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

missa

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Eita, não entendi nada que ele disse, nada.
é seu ouvido que anda meio ruim.
O que você disse ?
Seu ouvido, anda meio ruim.
Quanto tempo desde que você passou cotonetes
a última vez ?
Eu passo cotonete sempre, tá ?
Então, esse é o problema.
Você devia passar menos cotonetes.
Mas eu não passo tanto assim.
você não passa sempre ?
É, mas meu sempre não...
meu sempre...
seu sempre não é sempre, é isso?
É, achei meio estranho falar.
É porque é meio estranho mesmo.


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