sábado, 15 de janeiro de 2011

lá fora



E foi como uma peça, uma peça sem roteiro ou ensaios prévios, como qualquer outra coisa acontecendo a cada instante normal que desaparece ao correr despercebido e ficar para trás. O carro balançava ao passar por cima das irregularidades comuns de uma estrada de terra, avermelhada, e eu brincava com o golfinho. De repente um barulho, vindo lá da frente, um quase não barulho e meu pai para, desliga o motor. Abre a porta, desce, abre o capô, e olha para minha mãe dentro do carro, com algum tipo de dor no rosto. 
Ajudo ele a levar o carro para o acostamento, guio o automóvel enquanto ele o empurra. Minha mãe sentada do lado assiste, um cigarro aceso na mão fora, apoiada na porta. Nenhum vento, a fumaça sobe reta e sorrio segurando o volante entre meus pais. Ao lado da pista, uma colina, cheia de folhas caídas, uma pequena floresta úmida com algumas árvores cortadas. 
Pronto, ele vai até a mala, pega o triângulo vermelho, aquele que brilha no escuro e o coloca a uns metros para trás do carro, volta, diz algo no ouvido de minha mãe. Ela concorda. Não entendo nada, fico ali segurando o voltante e sorrindo. Aperto a buzina e eles levam as mãos aos ouvidos, como advertência, recebo um leve toque na mão direita e um olhar de reprovação. Ele segue, caminha para frente sozinho pela beirada da pista de terra. Já é quase por do sol e logo vai estar escuro.
Porque você não vai brincar um pouco lá fora, filho? 

2 comentários:

  1. o velho truque do abandono dos filhos na beira da estrada... sou mais meu pai que ameaçava me jogar no latão de lixo.

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  2. aaa achei que eles iam fazer sexo e deixar o garotinho esperando =p

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