domingo, 17 de outubro de 2010

barco

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A vida canta uma música
embaçada e fora de ritmo

vou vestir minha máscara de lobo
e uivar o dia
uivar durante todo o dia

Ser o que não sou para
que seja eu de verdade

Vou vestir minha camisa de força
invisível e mal feita
para conter minha profana loucura

Uivo para a lua quente de um céu sem estrelas
Uivo para o sol frio encoberto de cinza

Vou vestir minha mascara de pessoa
e chorar de noite

Ser o que não sou para
que seja eu de verdade

Essa camisa que só me
aperta por dentro
e não me deixa dormir

quem sou eu ?
me diz.
me diz.

o que eu fiz ?

Do falso azul de mim mesmo
por baixo navego sem vento.

aqui é onde o barulho é mais alto
aqui é onde as coisas selvagens estão



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