sábado, 11 de setembro de 2010

é só isso mesmo.

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As brancas paredes soam ásperas
enquanto observo-as sem esperança
encarando amargurado este vazio
revira em meu estômago aquela ânsia.

aquela que pulsa e faz tremer meus pulsos
cada vez que tento invocar do fundo
algum impulso que me faça avançar
em palavras e significados
muitas vezes desconectados.
o sentido não é o importante.
nada faz sentido afinal de contas...

E nada mais será como as folhas caindo das árvores
no outono de mais um ano que se passa
despercebido
incompreendido
ou mais algum adjetivo.

acabo destruído, depois de tanto tempo a pensar em tentativas de poesia.
não, não nasci para isso.
Mas é como um vício.
não nascemos para os vícios.
Eles se impõem, mais fortes do que todo o resto
mesmo que por alguns poucos instantes
e só.

Já me sinto melhor.

Ignoro a métrica clássica, culta.
Como soam os sons das palavras é o que mais importa.
mesmo que não fique bom
mesmo que à ninguém agrade
mesmo que o que escrevo agora não seja
tão bom quanto o que já escrevi
em outro momento de minha vida

A minha opinião pode mudar, se transformar.
posso ser outra pessoa, ou coisa.
mas o vicio continua.
imposto pelo entorno
o entorno que um dia irá me devorar
embora possa eu não ser mais
eu mesmo quando isso acontecer.

quem liga ?
bom, ruim...
olha, pra mim tanto faz.



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