terça-feira, 3 de agosto de 2010

lá no centro

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Dois homens de terno em um cafézinho do centro da cidade.
Cavé, pra quem conhece o lugar.


E então, como foi a reunião das oito da manhã, cara ?
Ah, o de sempre, aquele gordo escroto ficou falando de plano de metas e plano de metas e plano de metas.
Que bom que eu não fui então, não ia aguentar ouvir isso de novo.
Ah, mas ele vai falar de novo na reunião das dezasseis horas.
Nessa, graças a Deus, eu não vou também. me chamaram lá em cima. pra discutir um projeto meu de um bom tempo atras.

poxa, rapaz, que sorte a sua.
não sei, tenho medo de estragar alguma coisa. ando muito estressado, sabe ?
ah, sei, tem aquele rolo lá com seu filho que tá indo mal na escola né ?
nah, não é isso não. ir mal na escola é normal, eu acho. bom, eu ia. e cheguei onde cheguei, né ?
mas podia ser melhor.
sempre pode se melhor.
sempre. mas, então, porque o stress ?
ah, a princípio, essa coisa toda de rotina.
mas, pensando muito  a respeito cheguei a conclusão que,
na verdade,
o problema todo é culpa do eclair de creme.

eclair de creme ?
é, isso mesmo. mas, enfim, tenho que ir agora. até mais.
foi bom encontrar com você.
a gente trabalha no mesmo andar. a gente se encontra todo dia.
só figura de linguagem.
então não foi ?
foi, porra, sempre é. Só que já falo isso isso mesmo sem querer.
boa educação, sei lá. algo do tipo.
(levanta)

ei, porra, não vai pagar a conta não ?
eu paguei na ultima vez, porra. sua vez.
ah, tá. que merda. (resmunga)
Ei ! moça, me dá dois eclairs de creme pra viagem ?
eles não são um problema ?
é complicado.
depois explico.
traz a conta junto, viu,  moça ?
...

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