sábado, 12 de junho de 2010

roberto e os peixes

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São seis e nove da tarde, ou noite, não importa. Roberto funga sobre seus grossos dedos. O cheiro é de peixe. Um cheiro que ele despreza. Esse marítimo odor é um sinal de que algo está errado. Algo tem que estar errado. Ele lembra da ultima vez em que sentiu esse cheiro em suas mãos. Foi assaltado logo depois... perdeu o carro e as compras do supermercado, que passou horas escolhendo.

Pelo menos agora ele está em casa. O pior que pode acontecer é escorregar no tapete, ou em uma almofada. Quebrar uma costela... ou sofrer um traumatismo craniano. É isso ?

Roberto resolve ficar sentado, em frente a seu computador.
Não, o computador pode quebrar.
Roberto vai até a cama e deita.

Se escondendo em baixo de seu travesseiro de penas de ganso, ou cisne... talvez pato ou papagaio. Mas esses não são pensamentos que passam por sua cabeça. Ganso. Pronto.
Síndrome do pânico ?
Roberto, em sua imaginária segurança, imagina do que pode estar se protegendo.
E se algo na casa entrasse em curto circuito e o apartamento pegasse fogo ?
E se … seus cabelos começassem a cair ?
Não, não.
Melhor não pensar nisso.

O cheiro de peixe cada vez mais forte.
Marcando cada instante.
Instantes tão intensos que um relógio comum não poderia marcar com suas batidas ritmadas.
Cada fungada um novo pensamento.
Roberto esfrega suas mãos malcheirosas nas calças.
E nos lençóis.

O cheiro se espalha cada vez mais.
Como se a cada minuto as possibilidades de algo horrível acontecer aumentassem descontroladamente.
Roberto passa um bom tempo deitado, se contorcendo, estressado.
A maciez do colchão o acalma aos poucos.
Seu nariz ,entupido pelos ácaros invisíveis das penas do papagaio, despreocupa-se com o odor odioso.
Logo, Roberto cai em um sono agitado.
Com sonhos... não... pesadelos horríveis.


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Um comentário:

  1. não acho você genial, até mesmo bom, mas seus textos tem algo a mais, tem vida, uma vida ingenua e até chata, mas uma vida que vale a existência, não pare de escrever, pois sim, vale a pena.

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