domingo, 2 de maio de 2010

Neblina

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- BAM ! -

O punho revestido de enorme e acolchoada luva vermelha com força acerta a tela.
A imagem escurece levemente e treme enquanto se abaixa.
Aos poucos se normaliza, levanta.
Ainda com um leve balançar, o rosto do punho surge por entre a neblina.


Entre seu nariz batatudo e sua boca gordamente carnuda,
um moutache negro como a noite esconde seu lábio superior.

se aproxima.
Um gigante, como um lutador de sumo, que seria idolatrado no Japão.
As roupas não são de normal boxeador.
Sim, as luvas estão lá.
Mas seu corpo é envolvido por um uniforme cinza esverdeado.
seus enorme pés, cobertos por botas industriais de ponta de ferro.

- BAM ! -

Mais um soco, dessa vez direto na costela.

Quem recebe é um pequeno e muito magro menino.

Pelado
ele cambaleia tropeçante pelo ringue.

cai por cima dos elásticos azuis da borda.
eles levemente se esticam com seu ridículo peso.
Os braços estendidos um para cada direção, apoiados.
Com dificuldade levanta-os, tentando proteger ser rosto.
Olho roxo.

A visão embaça. O tempo não passa.

-LEVANTA MOLEQUE !

grita o monstro obeso.
A criança levanta a cabeça e, com os olhos lagrimejantes
balbucia ofegante:

-Mas papai, e-eu não sei lutar, pa-papai




-BAM ! -

Desaba o infanto. As mãos ao rosto. Agonia, dor. Como um porco que percebe-se na fila para o abate ele grita. Assustado, rasteja com as costas no chão. Com dificuldade rasteja.

A neblina cobre a imagem.
Sua fuga é em vão. Descobre a outra borda do ringue.
Suando, ele vira a cabeça.

[ Continua... ]

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