segunda-feira, 19 de abril de 2010

Rombo II

IRA.

Me transformo em meu transtorno.
Me torno o meu entorno.
Adapto-me totalmente a essas partes latentes,
latejantes de meus pensamentos.

Escrevo mais palavras.
Jogo aos ventos.
Tento, tento, tento compreender alguma coisa de mim mesmo.
Uivo.
Invoco –novamente- a ira raivosa
que, como uma explosão azul (em um filme todo cor de rosa),
me libera. E eu misturo verso e prosa.

Sou guiado para o sul, para baixo.
E cá estou novamente.
Com a mesma palavra e a mesma rima.
Planto uma semente.
Continuo em frente e chego em cima.
E mais e mais uns poucos.
– meus pensamentos começam de novo a ficar roucos –
Já é de madrugada.

A coruja me observa do galho, sonolenta, espantada.
E eu como um remendado espantalho, afugento
(imóvel)

os maus espíritos que surgem das sombras estas obscuras, obscenas horas.
Sou subordinado ao Estado e as leis naturais do ser humano.
Mas não confio em nenhum dos dois.
Isso eu continuo depois....

Aqui, agora, observo.
Não entendo, sento cego em minha ignorância
que abunda, absurda, sob minha flácida ...

A negritude eu falho em espantar.
Ela me escala, rápida como uma bala.
E não para. Até chegar ao todo.
E sinto o peso da existência sobre meus ombros.

E como um recém formado rombo eu não vejo seu fundo.
Jogo uma pedra e só escuto um baixo som abafado.
Durmo, comprimido, compreenssado.
Não era sono minha depressão.

Sento, sem paz.
Sem paz me sento torto e tento
- como quase um aborto –
me desprendo deste meu útero.
De meu casulo obscuro.
Para o qual de certa forma vou sempre tentar voltar.

O pensamento Tão puro.


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