segunda-feira, 29 de março de 2010

Rombo I

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A caneta escreve.
Eu mexo os dedos
Todos os meus pensamentos se espalham pela infinita imensidão de meu subconsciente.
Toda a existência se torna um enorme absurdo incompreensível.
me cerca um muro intransponível.
Impossível compreensão.

Talvez seja só sono toda esta minha depressão.
A grande angústia da criação. A dor do poeta.
Uma necessidade para invocar esta chamada inspiração?

De nada me parecem úteis.
Mais duas expressões fúteis.
Mais duas para a montanha das inúteis.

Repetição.
Minha maior especialidade. Especialidade. Habilidade?

Não. Não possuo. Só finjo.
E no fingimento crio minha própria (imprópria) realidade de mentira.
– de Zeus invoco a ira –
E como uma pequena criança faz birra, eu repito, aflito, o que eu quero e não quero.
(o que já nem mais me lembro)

Sento, sem paz. Obedeço, meus pais. E nesse país tudo continua indo por água abaixo.
Tão clichê, falar do país. Tudo já foi dito.

Repetição.
Hei, quieto, fala baixo, presta atenção.
Acredito que esse texto não tenha sentido.

– prossigo, perdido-

Algo assim não pode com carinho ser tido.
Mais verbos soltos, sortidos.
Agora me perco novamente (sórdido) nesse texto sem nexo.
Um vetor torto novamente parte aqui de dentro de minha mente.
E por mais que eu lamente, nada vai me salvar.
Alinhar-me com a realidade.
Aquela de mentira, lembra?

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