segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Getúlio I


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Noite azulada.
O cochilo de Getúlio estendeu-se por bem mais tempo do que ele planejara.
Muito mais tempo. 
Um cochilo de quatro horas e meia ? 
 agora já está na hora da janta.

E tinha tantos planos para a desperdiçada tarde. 
Como ver aquele programa legal do “discovery channel” 
e ir comprar refrigerante no supermercado 
ou até mesmo tomar um banho, tarefa árdua que não fazia a alguns ociosos dias. 

Devia ter pensado nesse tipo de problema quando comprou seu maravilhoso sofá vermelho,
algo meio indiano,
aquela modinha que veio com a novela deve ter influenciado 
( mesmo que completamente contra o gosto de Getúlio)
a compra da peça. 

O sofá tem três lugares, marcados por grande e exageradamente fofas almofadas. 
Almofadas estofadas com algo realmente confortável, que até hoje não sei o que é. 
Deve ser uma dessas coisas novas. 
Hoje em dia sempre tem coisas novas. 
amo esse sofá. 
Esqueci a televisão ligada. 
Dormi esperando o programa do cara estranho. 
Faz muito tempo que eu não escuto “octopus’s garden” 
(aquela musica divertida dos Beatles). 
Acho que ainda estou com sono. 

Getúlio tenta se levantar. 
Getúlio falha. 
As vezes esse sofá é irritantemente confortável. 
Getúlio é um piadista perdido.
Com o senso de humor perdido, quero dizer.
Quando mais jovem as piadas vinham com tanta facilidade, hoje só consegue ser irônico. 
As coisas são mais diretas hoje em dia.
Mais dinâmicas, mais cheias de ação. 
Nem o batman é engraçado hoje em dia. 
Getúlio se cagava de rir vendo batman. 

Hoje ... sente medo.


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