quarta-feira, 23 de setembro de 2009

introdução a Jorge.

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Sorriso,
seu sorriso esbanjava juventude
um portal, para a
alegria da vida passada.

Era
Velho.
Nem tanto.
Mas nem tão pouco.

seu olhar,
profundo.
Intenso conhecimento.

Seu corpo
corcundo.
o peso do tempo.

vive só.
mas não solitário.
ele e ele mesmo.

melhores companheiros.
não há tristesa em seu relacionamento.

rouco.
conversa.
Louco.

Tipo uma pedra.

As vezes sente falta
da sua falecida esposa.
dona susana.

Sua.

Jorge
Mora em
copacabana.

Anda arrastando os pés.
Não usa bengala

" Bom dia seu joão "
" Bom dia seu joão "

repete duas vezes para o porteiro
ao sair do seu prédio.
um daqueles bacanas.

sua face.
nua.

sente frias queimaduras,
pingos de chuva.

e lá vai ele para o bar
da rua

de novo.



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2 comentários:

  1. Isso é muito "Velho jorge de copacabana"... são tantos por ai, que nos comovem (?) só com o olhar, a postura, a idéia fixa de que devem continuar, mesmo sem muitos sonhos a conquistar.
    E sempre resta o bar!!

    ARRASOU!

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  2. Interessante a questão da imobilidade de Jorge. Pessoas como ele sempre aspiraram ao movimento, mas permanecem sempre paradas.
    Muito bom

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