terça-feira, 25 de agosto de 2009

A promessa

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Ásperas palavras.
Dor, ao descerem crânio adentro.
Entram, descuidadas.
Parecem percorrer todo seu corpo.
Machucando.
Moendo.

Ao ouvir tais palavras, não se agüenta.
Sente.
Senta.
Se enrola.
Chora.

Sem apoio, sem consolo.
Nada há.
Nada poderia lhe ajudar.
Ninguém.
além dele mesmo.

Era a morte.
A fria morte de sua amada.
E ele sentia algo morrer dentro dele.
Esvaia-se uma parte de sua existência.
Evaporava.

Sangue, transparente.
Escoria de seus olhos.
Caia.
Pingava.
Explosões de sua alma.

Ao ver aquilo se imaginava como o choro.
caido.
derrubado.
quebrado.
Espalhado.
morto.


Estava deitado.
Na rua.
no chão.

Já não se sentia preocupado, como antes estava.
não havia mais porque se preocupar.
Sua preocupação passara.

A morte ficara.

Fria.
Imaculada.
Eterna.

Dor.
Amor.

e então ?



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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

tchau... se falar embolado e rapido, parece te amo. pelo menos, volta e meia eu confundo. tenso.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

capítulo 1

"Sinto meus pés no chão.
Sinto o chão debaixo de meus pés.
Escuto a algazarra típica de um lugar cheio de pessoas, nada exagerado, o normal eu acho.
Tem mais alguma coisa.
Você escuta isso?
Acho que eu escutei alguma coisa.
Acho que eu escutei alguém falando.

-Seja bem vindo.

Essas palavras ecoam na minha cabeça
Como um sino tocando ao meio dia em uma igreja das grandes.
Mas, como assim? Seja bem vindo?


-Seja bem vindo à fila. Você está indo ao cinema.


-Cinema?
As palavras fogem de minha boca.
Eu tenho uma boca?

-Sim, cinema.

-Mas, por que?
Elas fogem outra vez.
Agora, eu abro meus olhos.
Eu me lembro desse lugar.
Eu me lembro desse cheiro.
Lembro-me deste chão.
Lembro-me destes barulhos.

-Este é o filme da sua vida. Um documentário sobre você mesmo.

Mas eu não lembro dessa pessoa que está na minha frente, falando comigo.

-Eu nunca pensei num filme sobre mim...
Eu lhe digo, sincero.

-Bom, fizeram um.

Responde-me a pergunta que eu não fizera.

-Parece que você foi muito mais interessante do que você achou que era.



Eu, eu era?
Eu, não sou mais?
Interessante?
Eu?
Quem Eu sou?
-Fui?
Digo.

-Sim.
Responde-me outra vez.

Tento falar o que uma pessoa em uma situação normal diria.
Não sei em que situação eu estou.
-E...Quanto custa o ingresso?

-Não se importe com esses detalhes pequenos, essa não é a parte importante. Você nunca se importou com isso, porque se importaria agora?

Pipoca doce, cheiro de pipoca doce.
Melhor, de açúcar queimado.
A fila parece grande.
Parece que ela não está andando.
Parece.
Mas já me desloquei alguns metros desde que me dei por mim mesmo.
Eu acho.
Duvida.
-Você já viu o filme?

-Sim.

-Interessante?

-Diferente, eu diria. Bem diferente. Você se achava interessante?

-Não saberia dizer.
Vejo um cartaz em uma pilastra a minha esquerda.
Vejo um rosto nele.
É este o meu rosto?

-Eles não falam sobre isso no filme?

-Sim, falam.

-Isso... Isso é realmente muito estranho.

-O que é estranho?

-Sinto-me exposto. Estou de pé, não sei nada sobre mim e ainda assim, na minha frente, está uma pessoa que me conhece melhor do que eu mesmo, porque essa assistiu a um filme que conta tudo sobre a minha vida. Não sei o que pensar, porque não sei o que eu pensaria numa hora dessas. Mas você, você deve saber o que eu pensaria, não? E outra, se você sabia a resposta, porque você fez a pergunta?


-Também não sei.

-Tudo bem. Essa fila não vai andar não?

-Devagar. Parece que o filme teve uma boa crítica. Muita gente quer assistir. Bom, Vou ir comprar o refrigerante.

Refrigerante, lembro de gostar de refrigerante. Lembro de sempre beber refrigerante quando eu ia ao cinema. Acho que ele sabe disso.
-Boa.
Afirmo.

-Eu sei.
Responde-me

-Eu sei.
(que você sabe)

-Você fica ai?

-Fico... Tudo bem, eu acho."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

NINJA !





Duvido, que alguem descubra a identidade secreta de nosso companheiro ninja da foto.

nós escondemos os mamilos dele, para dificultar a vida de vocês, adivinhadores.

duvida

Se eu sou DEUS da minha própria arte.

será que ela acredita em mim ?

mais um pássárô

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

obscuro



tinta
cabelo
tinta pra cabelo
preta
um pilot
uma caneta bic
passaros voando do lado de fora da janela
sei lá
maluquices normais.