segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Fenix

Quero guardar o meu caderno.
pegar minha bicicleta.
pedalar o meu caminho
até chegar na minha rua.
encontrar minha namorada,
ter ela em meus braços.
E, finalmente, depois de todo esse tempo,
refletido em tudo o que era nosso,
o brilho dos olhos dela há de fazer ressurgir
algo além do tempo no passar de nossas vidas.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Solto no espaço

Liberdade é correr pelo céu
Sentado na grama
sem se importar
com fama, cama ou lama
liberdade é estar em paz
sem esforço
é não ligar para pouco
nem muito
é poder dizer
tanto faz
é deixar o mundo te levar
é ficar em silêncio
em conjunto
é ser profundo sem querer

é ver

é ir viver

Energia infinita
não é uma condição física

é um estado de espírito

Alegria
é uma substância
sintética
que a gente cria

O mundo é seu.
Tenha sempre esperança
sonhar não é coisa de criança

o mundo é seu
um presente
que ninguém deu

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Miragem - parte 1

Quero ver você
estendida na areia
encoberta por um lençol de Sol
a se esquecer da vida inteira
rodeada de fumaça
enquanto a nuvem passa

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Tremor

.

É bom saber que
Pelo menos
nesse mundo
O que é criado
cria sem criar
por mais que
seja mudo


.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

theresa


Seria estranho começar a falar dela pelas roupas ou pelos cabelos; mas por um pequeno segundo, enquanto voltava para a mesa, ela seria de qualquer homem que os elogia-se. O garçom passa, carregando três garrafas e dois copos. Ela olha para o poste na esquina e pensa em quanto tempo falta até fazer sol de novo. Sentados na cadeira, a amiga e um cara, do curso de francês dela discutem sobre descobertas que não são usadas porque não seriam tão lucrativas quanto a tecnologia atual, por mais que fossem melhores e mais práticas. Ela, Theresa, já está de saco cheio desse assunto; a amiga, que faz física na faculdade, sempre puxa essa conversa.

-- Quando ficou intragável a poluição dos carros movidos a combustível feito de petróleo, na hora apareceu o motor movido à dissociação da água e combustão dos gases. Foi só uma coisa deixar de ser lucrativa que apareceu a outra. É obvio que existem milhares de outras invenções por aí que não são inseridas no mercado porque o atual é, por enquanto, mais lucrativo.
-- Aposto que já devem ter descoberto como controlar a gravidade.
-- Não, isso não descobriram.
-- Porque não?
-- Se tivessem descoberto isso não estaríamos vivendo aqui, estaríamos vivendo em colônias no espaço, ou    algo do tipo, sei lá.
-- Isso sim seria divertido.
-- Melhor que esse buraco, com certeza. Espero que encontrem alguma coisa, com o tal do acelerador de partículas novo da China.
-- Aquele enorme?

Theresa bebe o refrigerante no copo e começa a jogar tetris no moderno celular. Eles continuam a discussão. Dez minutos depois ela diz que vai pra casa e eles insistem que fique, ela diz que acha que eles vão se divertir mais sozinhos. Ele diz que não, que é gay; e por mais um pequeno segundo ela se arrepende de ter pensado o que pensou. No fim, depois de um rápido debate sobre qual rumo tomar decidem ir para a casa dele, que divide o apartamento com dois amigos que não são tão estritamente homossexuais. No caminho, Theresa comenta, pergunta se eles acham que a lua deve se parecer com a luz de um poste, perdida no céu. Não, a lua é mais especial que isso, eles respondem. Ela sabe disso, a lua é mais especial, mas enquanto não se pensa nela, ela deve parecer com uma luz qualquer, parecida com as outras. Como uma linda música, tocando baixa, ao fundo, uma leve trilha sonora suave perdida no meio dos outros barulhos. Pensando nisso, ela escuta, por trás da grade de uma livraria fechada, alguém tenta sintonizar a rádio em uma estação sem saber o número certo. Os chiados do Big Bang ecoam, como diria a amiga, ao mudar os canais da televisão.
Começa a chuviscar e ela pensa em como ter um conhecido no lugar onde controlam essas coisas seria útil.

sábado, 13 de agosto de 2011

bigosdes

Por mais que não ache eu sei.
vou terminar como dorian grey
Sejam negros cabelos ou
o sorriso mais infiel
vou ter a alma estampada em papel.
vou comprar cigarros pelo céu
e esquecer o isqueiro no mundo que criei.
vou sentir falta, dos presentes que não te dei.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sobre folhas e sinos







.Versão dois (melhorando muito)


O mundo dança sem saber
dança sem específico palco
para uma plateia desatenta.
Logo de um santo salto,
já revive aquela lenda.
só pra absorver.


Se bem só pelos olhos
não faz mais a mínima ideia 
do quanto é concavo ou convexo
o espelho
que mostra seu reflexo
enquanto sorri a o que lhe diz
então escute o resto.


O munda dança. dança pra você.
Dança os quase invisiveis passos perfeitos
quase dança passos perfeitos.
disse quase, só quase. bem pertinho.
mas me abstenho desses detalhes falhos.


Holofotes acendem e apagam. só falo.
O caminho correto
(que uma vez, uma fictícia tal vez
já foi um corredor concreto)
sempre se ilumina mesmo que por um momento
menor do que o que você acha que seja.

Tento nem passar por perto
de quem me reflete do olho torto
mas isso deve ser só mais uma paranóia.

jogo a boia, não se afogue a toa
não se afobe atrás do que soa
como se fosse do milênio a maior boa
a não ser que seja.

Essa dança é sempre uma beleza.
(me perco, a mente sussurra a ela mesma
enquanto escrevo e de vez enquando noto
as críticas que faço à mim)

Dança dentro da dança
dança pela neblina da nuância.
esse artista não cansa.
dentro de todos ou tudo dizem que existe
algo bem quase infinito. mas isso já  é coisa de engenheiro.



Versão I

O mundo dança mesmo sem querer e você sabe.
Dentro da cabeça até, seja lampada ou lembrança.
Basta esquecer a ânsia de chegar, terminar, que seja,
para perceber que toda música continua mesmo que acabe.
O mundo dança mesmo que ninguém nada fale.
Mesmo que nada ninguém fale.
São infinitas no brincar de uma criança.
Ou lá, no ventos nas tranças.
Na estranha degustação das traças.
Pensar nisso é pensar em tanto que até cansa.
Mesmo sabendo que a única forma de perceber isso
é não pensando nada no fim das contas.
Já é quase vício.
Já parou hoje pra ouvir a vizinhança?




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